<strong>Espaço dos leitores</strong>

Espaço dos leitores

Esse é o cantinho do leitor, para enviar e publicar suas histórias.

A publicação restringe-se a contos e poesias. Basta fazer o upload na janela abaixo. O texto será remetido ao moderador do site, para verificação de adequação aos temas do site.

Descaminhos – por Hugo Bülow

 

 

 O Tempo, sempre foi o juiz mais correto que existiu.

Destino, que vivia sob a tutela do Tempo, era o nome daquele rapaz, sempre determinado a dar conselhos e estabelecer caminhos para os demais. Ele conheceu a Vida, também daquela mesma tutela, uma moça que nem sempre tinha um comportamento regrado, mas que, enquanto nova, gostava de muita adrenalina, mas, assim mesmo, casou-se com ela.

Convidaram a Morte, uma conhecida de tempos, mas que tinha trejeitos um tanto obscuros e um jeito meio estranho de encarar a Vida, para ser madrinha do casamento. O Percurso, rapaz que andava por muitos caminhos, amigo dos dois, foi convidado para ser o padrinho.

A e a Esperança, sempre renovadas, foram convidadas para serem as “damas de honra” e carregaram as alianças naquele enlace que fora celebrado por uma pastora, já bastante idosa, tal de Eternidade.

Dessa união nasceram filhos. A Fatalidade que, por estranheza sempre aparecia quando a gente menos esperava, o Acidente, filho que nasceu por um descuido, a Alegria que andava sempre feliz, sorrindo e, a Tristeza que vivia acabrunhada num canto, sempre chorando. Essas duas eram gêmeas, mas com o temperamento e gênios totalmente diferentes. Tanto era assim que as duas nunca andavam juntas, sempre visitavam os outros, sozinhas, uma de cada vez.

Mesmo depois de casados, Destino continuava, sempre, a se meter nos interesses e nos objetivos dos outros, enquanto a Vida tentava mostrar que o importante, independentemente do preço que se pague, é ser feliz.

A Morte, por sua vez, como madrinha que era daquela união, acreditava que o Destino e a Vida, sempre ocupados com suas atribuições, não tivessem muito tempo para cuidar dos filhos e achou por bem pegar a Fatalidade para si, cuidar dela.

Andando pelos caminhos, ela encontrou o padrinho e falou dos problemas do casal e Acidente acabou ficando sendo de Percurso.

A Alegria era querida por todos, mas ninguém queria ficar com a Tristeza, então, por causa disso, as duas se combinaram e ficaram perambulando, uma de cada vez, às vezes na casa de um, outras vezes na casa de outro e, assim foram lidando com o Tempo, que andava de olho nelas.

Por essas interferências, o Destino e a Vida, apesar de ligados entre si, não moravam mais juntos.

A duas damas de honra resolveram não se meter com a Morte e nem com o Percurso, mas, em contrapartida, a Vida levou apara junto de si dizendo que não poderia viver sem ela.

O Destino por sua vez, mesmo sempre pensando na Vida, acabou ficando com a Esperança, pois somente assim poderia tentar ficar de olho na Morte para manter contato com a Fatalidade, e no Percurso, para ver o Acidente ocasionalmente, assim como manter ae a Esperança, a Alegria e a Tristeza sempre à vista e perto de si.

Um comentário em: Descaminhos – por Hugo Bülow

  1. Rafael - 23 de fevereiro de 2012

    Gostei muito do jogo de palavras, Hugo. Parabéns pela inventividade!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *