<strong>Espaço dos leitores</strong>

Espaço dos leitores

Esse é o cantinho do leitor, para enviar e publicar suas histórias.

A publicação restringe-se a contos e poesias. Basta fazer o upload na janela abaixo. O texto será remetido ao moderador do site, para verificação de adequação aos temas do site.

Ela – por John Williams B.

 

*Texto adulto. O conteúdo pode ser ofensivo para algumas pessoas.

* Imagem recortada de “Blue Nude”, por Henri Matisse.

 

Era um dia comum, quente, ocioso, preocupante, e ela esperava mais que isso. Queria tudo novo. Novo amor, novo homem, novo mundo, novo sexo, nova vida. E já se sentia nova. Pronta para abusar da rebeldia. Precisava de outra chance, pois, sabia que era capaz de convencer. E me queria sim! Nunca estive preparado, porém, aquilo tudo surgia diferente. Sua libido estava incontrolável. E suas mãos dançavam sobre o corpo já conhecido e que fingia ser outro. O olhar seguia alucinado rumo ao êxtase do prazer. E queria tudo muito violento, sem culpa, sem conversa. Queria. Agora bastava olhar sedenta e tudo se compreendia. Parecia uma pessoa completamente diferente. Avessa à que já existia. E ela buscava sempre mais. Não estava satisfeita apenas com o habitual. Queria tudo quanto fosse proibido ou mascarado. Nunca mais reclamou de vergonha ou dor. Nesse momento falecia aquela doce moça inocente que ficava se contorcendo enquanto algo acontecia dentro de seu corpo, qual pulsava medroso e cheio de rubor. Ela perdia seu diferencial  e logo se tornou tal qualquer outra dama chula e sem precedentes de moral. Restava nela ainda o tísico corpo incansável, que, mesmo não sendo vigoroso esforçava-se para estar ativo e resistente a tudo. E não mais haveria razão para continuar qualquer enlace esta mulher que não conheço mais. Não a quero. Ando tão sujo hoje, e ela apenas me lançaria ainda mais ao fundo dessa vala de impurezas em que venho deslizando. Hoje preciso mais que nunca de toda aquela dúvida que surgia em sua face rosada. Necessito brutalmente daquelas mãos puras me acariciando as costas e fazendo com que eu pense como ainda poderei ser tanto quanto sonho. Mesmo já soterrado por tamanha montanha de violências, ela me perdoará e já me oferecia o corpo para aliviar os tormentos.

Ela ainda me espera.

Louca e insensata.

Ainda cheia de dúvidas.

E isso tudo me maltrata demais.

Preciso, realmente, mudar.

E não vou deixar ser passageiro.

Ela me quer ainda.

Ela me quererá sempre.

Não consigo mais ser o duplo.

Nem mesmo quero.

Quem precisa de nova vida agora sou eu.

Hoje tudo é provável.

Sendo assim, me contento com a normalidade.

Continuando trilha de amargura.

Se confabular minha morte não é mais tão convincente, o que me resta é fugir. Deixando as lágrimas caírem sem precisar provocar tanto. Pois, não suporto mais a alcunha de falso amante. Preciso da confirmação. E ela sabe bem disso, mas, ainda não tenho sua vontade em certeza. Me faltaria, então, alguma nova palavra para convencê-la de que necessito ser novo. Ou ainda vivo enganando até mesmo a mim? Não quero mais dúvidas. Elas são muitas. E cruéis. Machucam sem qualquer remorso. Agora sei que preciso dela agora. Acontece que ela não tarda a fugir. E isso me assusta mais que o normal.

Ela não quer apenas poesia.

E me diz claramente que quer mesmo é fazer o que ainda não espero. Quer tudo tão rápido.

Nem sei como dizer o que desejo mesmo.

Sei que preciso ser claro e direto.

Atacando sem chance de defesa.

Ela quer assim.

Sem culpa.

Sem fala.

Cheia de razão.

Ela!

"3" comentários em: Ela – por John Williams B.

  1. Rafael - 21 de março de 2012

    Via Facebook
    Jamý Dantas
    John, logo você tão confuso em meus textos, tornou-se um desses, hein? rs .. A necessidade de algo mais, descrito nela “contagiou” o amado, mas ao avesso, foi isso? Desejos e vontades, as mesmas possivelmente, mas queridas de outras maneiras .. Ela tão meiga, quisera agora desgarrar-se da pureza e ser a grande sedutora quase que controlada pelo tesão, pelo voraz desejo “proibido” [que nem é!] que provavelmente a sufocava, e ele queria ela, como antes, no agora .. queria a calma, a serenidade, a poesia tão somente naquela hora .. ou mais! Talvez se fizessem amor poderiam descobrir o que verdadeiramente estava faltando aí, não? Ou acalmassem essas dúvidas, logo depois vem o sono, e a gente pensa nisso mais tarde. Encontrei-me vezes nela, vezes nele .. mas sei que estive completa, mesmo, foi nas dúvidas desse texto, como sempre! Agradeço por compartilhar, John Williams , é sempre um prazer lê-lo tão próximo .. Abraços!

  2. Rafael - 21 de março de 2012

    Via Facebook
    Joice Furtado
    ‎John Nossa, que lindo! Um pouco de culpas demais. Prefiro sem culpas, entrega total quando se deseja alguém de verdade. Engraçado, eu parecia ouvir um cara cheio de sonhos e desejos, um cara desesperado por mais da vida e de si mesmo, falando de maneira dúbia os seus quereres íntimos, mas ainda relutante. Gostei mesmo!

  3. Rafael - 21 de março de 2012

    Via Facebook
    Sidcleia Alves
    Nossa john que texto massa, um instante muito sensual e exitante, outrora sofrido… legal….muitos sentimentos estão explícitos neste texto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *