<strong>O peregrino Joshua</strong>

O peregrino Joshua

Joshua é uma coluna com publicação semanal às quintas-feiras no Jornal Diário Regional e aos sábados no Jornal Folha do Mate.

Nela Rafael Lovato trata de temas cotidianos vivenciados por um velho peregrino, no início do século passado.

A série "O peregrino Joshua" está sendo publicada pela Editora Zap Book, e contará com ao menos 7 volumes, e que podem ser comprados no site www.zapbook.com.br

28 setembro 2012

Na cova dos leões

A primavera chegou à região quando o peregrino Joshua deixou para trás o vilarejo de Rio Fundo, retomando sua peregrinação, que o levaria a um novo povoado.

Durante os dias de caminhada, ponderou para si mesmo que, talvez, fosse momento de encerrar sua peregrinação, posto que seu corpo, a cada dia que passava, encontrava-se mais cansado. Porém, imediatamente, seu espírito se inquietou, pois ele ainda se encontrava jovial e disposto a andar pelo mundo dos homens. Joshua sabia que não haveria maneira de encontrar paz enquanto seu espírito ainda possuísse o que ensinar e compartilhar, concluindo que o melhor era prosseguir.

Caminhava nas ruelas empoeiradas do vilarejo de Feliz da Serra, aproveitando a temperatura amena do raiar do dia, quando entrou na vendinha do vilarejo que, conforme lhe disseram, servia bom café da manhã. No interior, encontrou um homem fazendo seu desjejum, que convidou Joshua para se sentar à mesa com ele e, entre um gole e outro de café, comentou:

– Interessante como a vida nos apresenta escolhas importantes, não é mesmo? E, o mais curioso é que somente enxergamos isso muito tempo depois de não as termos tomado… Por que isso acontece? Hoje, reavaliando algumas atitudes, percebo que eu deveria ter me posicionado de modo diferente. Mas, por que somente sei disso agora?

Joshua largou a xícara sobre a mesa, olhando para o homem.

– Meu amigo, nos meus tempos de garoto, adorava uma música que falava sobre o erro de ser um barco a vapor e insistir em usar os remos, culminando com afogamento, ou algo assim. Isso, por si só, intrigava-me sobremaneira. Mas, a música não parava por aí: o mais interessante é que ela dizia que o salva-vidas não estava lá porque nós mesmos não o víamos…

O homem cruzou os braços.

– Não estou entendendo aonde o senhor quer chegar.

– Para mim, essas palavras sempre soaram preocupantes, mantendo-me acordado por várias noites. Levei muitos anos para conseguir compreender seu significado, seu ensinamento.

– E o que significam?

Joshua se ajeitou na cadeira.

– Não há nada de errado ou imperfeito em sermos um barco a remo, e usar esses remos. Nem, também, é pior ou melhor sermos barco a vapor, e ligarmos essa máquina. O problema reside em sermos um barquinho a vapor, e insistirmos em remar, o que nos trará uma desconfortável posição de deslocamento em nossas próprias vidas, o que acaba culminando por nos afogar. E, não falo, somente, em um matar corpóreo, mas, sim, em um morrer do espírito, do potencial de operar diferenças e alcançar lugares onde os remos não nos levam.

O homem descruzou os braços.

– Ah, mas agora tô entendendo…

– Meu amigo, nem sempre conseguimos ver o salva-vidas, que se encontrava ao nosso alcance o tempo todo e que salvaria nossa alma do afogamento, pois somos imperfeitos e falíveis. No entanto, isso não significa que não possamos nos salvar.

– Mas, o senhor é dons bons, hein?

– Em muitos momentos de nossas vidas, não compreendemos exatamente o que somos, nem o que devemos fazer. Então, acabamos por procurar respostas nos lugares errados, sentindo o afogamento de nosso espírito e não vendo o nosso salva-vidas. Porém, se nos concentrarmos em compreender nosso próprio barco, conseguiremos ver como ele melhor funciona, se a vapor, remos ou vela. E, essa é a salvação: conhecer a si mesmo, salvar a si próprio, ser, você mesmo, o seu próprio salva-vidas. O amigo disse que hoje enxerga equívocos do passado? – Joshua olhou nos olhos do homem, que balançava afirmativamente a cabeça. – Então, minha verdade lhe digo: alegre-se por isso acontecer. Sim, pois, significa que seu espírito respira.

"12" comentários em: Na cova dos leões

  1. Rafael - 9 de novembro de 2014

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    Leoni Schunke
    Meu aluno brilhante ,agora escritor…..parabéns….abraço

    • Rafael - 9 de novembro de 2014

      Beijão professora Leoni!

  2. Rafael - 7 de novembro de 2014

    Via FACEBOOK
    Heloiza Averbuck
    Grande ensinamento do peregrino Joshua! Parabéns! 🙂

    • Rafael - 7 de novembro de 2014

      Beijão minha querida Heloiza

  3. Rafael - 7 de novembro de 2014

    Via FACEBOOK
    Tereza Gibson
    Oi amigo muita paz Fã n1

  4. Rafael - 7 de novembro de 2014

    Via FACEBOOK
    Ecelda de Oliveira
    Inspirações…alegrias…sucesso pra ti hoje…e sempre.

    • Rafael - 7 de novembro de 2014

      Beijos Ecelda

  5. Rafael - 7 de novembro de 2014

    Via FACEBOOK
    Gelci Carlos Abreu
    Bom dia nobre amigo poeta com paz e amor, forte abraço e seja feliz!

    • Rafael - 7 de novembro de 2014

      Abração Gelci

  6. Rafael - 28 de setembro de 2012

    Via FACEBOOK
    Ana Claudia Marques
    Conferido e compartilhado, Rafael! Já tem amigos esperando a chegada do teu texto semanal!

    • Rafael - 28 de setembro de 2012

      Que gostoso ouvir isso, minha querida Ana. Bjão!

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