<strong>O peregrino Joshua</strong>

O peregrino Joshua

Joshua é uma coluna com publicação semanal às quintas-feiras no Jornal Diário Regional e aos sábados no Jornal Folha do Mate.

Nela Rafael Lovato trata de temas cotidianos vivenciados por um velho peregrino, no início do século passado.

A série "O peregrino Joshua" está sendo publicada pela Editora Zap Book, e contará com ao menos 7 volumes, e que podem ser comprados no site www.zapbook.com.br

1 março 2013

O orgulho

O peregrino Joshua chegou ao povoado de Picada Café já passado do meio-dia daquela quinta-feira. Enfim, encontrava-se recuperado do resfriado que se abatera sobre si.

De fato, não havia nada melhor do que um dia após o outro para curar vários dos males da vida e do mundo. Sorriu consigo mesmo, consciente da fugacidade do tempo e da sapiência de que o mundo revolucionava e se modificava, e que acontecia o mesmo com os homens.

Olhou para o céu e contemplou o límpido e ensolarado dia, e resolveu sentar em um dos bancos da praça central, para aproveitar o momento e descansar. Sem demora, um homem, que andava de um lado para o outro na praça, claramente irrequieto, aproximou-se de Joshua, falando:

– Não sei o que posso fazer para mudar essa situação em que me meti! Tudo está perdido! Mas, não darei meu braço a torcer! Isso jamais! Jamais! Lutarei até o fim…

Joshua olhou para o homem.

– Meu amigo, acalme-se. Sente um pouco – e apontou para o espaço vazio ao seu lado.

O homem aquiesceu, sentando, ao passo que lamentava:

– Tudo Perdido… O que eu faço?

– Desconheço o mal que lhe aflige. Mas, posso lhe afirmar que o desespero a bom lugar algum lhe conduzirá. Além disso, nesse nosso mundo, nada é estático e imutável. Tudo se movimenta e se recicla: os homens, o mundo, os problemas…

O homem cruzou os braços.

– Não! Minha vida virou um inferno.

– Entendo. Curioso o fato de que, na maioria das vezes, o inferno em nossa existência somos nós mesmos que criamos. Assim, cabe a nós revertê-lo. Caso não consigamos, devemos procurar ajuda.

– Jamais! Pedir bexiga?! Nunca!

Joshua ajeitou a bengala entre os joelhos.

– Reconhecermos a necessidade de buscar auxílio não é demérito, mas, sim, maturidade. Sei muito bem que o orgulho é algo difícil de ser domado, e, muitas vezes, ele tenta tomar as rédeas do rumo dos acontecimentos de nossas vidas.

O homem balançava a cabeça.

– Sim, sim.

– Mas, precisamos combate-lo. Não somos perfeitos nem infalíveis. Reconhecer nossas imperfeições e dificuldades intrínsecas é o caminho para a evolução pessoal, para o crescimento de nosso espírito.

O homem descruzou os braços.

– Mas, como? O que o senhor quer que eu faça? Quer que eu me ajoelhe na frente dele e implore ajuda? Aquele ingrato, que nunca reconheceu nada que eu fiz por ele?

Joshua olhou nos olhos do homem.

– Meu amigo, só quem pode saber o que você deve fazer é você mesmo. O que tento lhe dizer é que, nesse mundo cão, nada é eterno. Tudo passa, as marés mudam e o mundo gira. Hoje estamos no topo, amanhã no sopé. Assim é o viver. Claro que possuir orgulho do que somos é muito bom, mas, a humildade e a sapiência das próprias limitações são o caminho para a paz e tranquilidade pessoais – e Joshua colocou a mão no ombro do homem. – É por isso que minha verdade lhe digo: nessa vida, há momentos de nos indignarmos e lutarmos. Mas, muito mais importante é reconhecermos o momento de retroceder, e procurar ajuda. Essa é uma das chaves do progresso pessoal.

"8" comentários em: O orgulho

  1. Rafael - 17 de abril de 2015

    Grace Oseki
    Para refletir e aplicar!! Muito obrigada!! Parabéns!!

  2. Rafael - 17 de abril de 2015

    Arnaldo Leodegário Pereira
    Parabéns caro Rafael Lovato! Bom dia!

    • Rafael - 17 de abril de 2015

      Abraço Arnaldo

  3. Rafael - 17 de abril de 2015

    Kleber Alexandre Balsanelli
    Bendito seja Joshua que insiste em viver em nós …

    • Rafael - 17 de abril de 2015

      Abração Kleber!

  4. Rafael - 1 de março de 2013

    Via FACEBOOK
    Heloiza Averbuck
    Exatamente,peregrino Joshua…concordo com suas palavras…

    • Rafael - 1 de março de 2013

      Bjo minha querida Heloiza!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *