<strong>O peregrino Joshua</strong>

O peregrino Joshua

Joshua é uma coluna com publicação semanal às quintas-feiras no Jornal Diário Regional e aos sábados no Jornal Folha do Mate.

Nela Rafael Lovato trata de temas cotidianos vivenciados por um velho peregrino, no início do século passado.

A série "O peregrino Joshua" está sendo publicada pela Editora Zap Book, e contará com ao menos 7 volumes, e que podem ser comprados no site www.zapbook.com.br

26 julho 2013

Os dias cinzentos

 

O peregrino Joshua ainda se encontrava na cidadela de Passo Largo. Enquanto caminhava pelas ruas, questionava-se acerca do motivo de os dias em que não se sentia muito bem lhe parecerem tão cinza.

A tarde se encontrava muito fria, e entrou em uma vendinha, para se abrigar e descansar um pouco. Precisava recobrar o fôlego, pois, a idade não lhe dava mais margens a excessos. Apesar da mente vívida, sempre pronta para uma nova aventura, o tempo crescia implacável com seu o corpo.

– Boa tarde, senhor! – um homem falou, sentado em um canto da vendinha, o qual Joshua não havia percebido. – Tarde fria, não é mesmo? – e o homem se levantou, aproximando-se: – Posso me sentar com o senhor?

Joshua escorou a bengala na mesinha e se sentou:

– Certamente.

Após o homem sentar, comentou:

– Hoje estou bem triste, e não sei o motivo… E nada aconteceu, para me sentir assim.

– Talvez seja somente o tempo, que passou.

O homem coçou a cabeça:

– Como assim?

– Quando somos jovens, nem sabemos existir o tempo. Quando adultos, mal o percebemos. No entanto, inevitavelmente, chegamos em um momento em nossas vidas em que o tempo se torna palpável, e, por mais que nos apeguemos a ele, nossos dias escorrem por entre os dedos… Constantes, irrefreáveis.

– Poxa, sei exatamente do que o senhor esta falando.

Joshua se ajeitou na cadeira:

– No entanto, há muitas outras coisas importantes nessa nossa vida. A própria vida o é. Sei que há momentos nos quais não conseguimos vislumbrar o mundo além da visão de nossos próprios olhos, e não vemos nada de importante que nos mantenha em pé… E acabamos relativizando nossa própria importância frente aos homens…

O homem arregalou os olhos:

– Isso mesmo!

Joshua olhou para o homem:

– E é em momentos como esses que precisamos olhar ao nosso redor, percebendo a natureza, os pássaros, as pessoas que precisam de nossa ajuda… Pois, todos os dias trazem algo de novo em si mesmos, basta nos darmos ao trabalho de procurar.

– Mas, e como faço para perceber isso?

– Todos precisamos transcender aquilo que nos incomoda ou debilita. Não devemos contaminar toda a nossa percepção de mundo com percalços pessoais, independente do que sejam. Hoje mesmo eu vinha por esses caminhos pensando o que eu poderia fazer num dia tão cinzento. Parecia que nada mais havia para mim, a não ser o frio, a dor, a saudade, a solidão…

– Sim, sei como o senhor se sentiu. E o que o senhor fez para passar?

Joshua olhou nos olhos do homem:

– Meu amigo, bastou sua atenção e amizade para me lembrar que o sol está lá fora, brilhante, e que o colorido do mundo permanece, exatamente, o mesmo. Eu é que precisava remover a trave que cobria meus olhos. E é por isso que minha verdade lhe digo: sempre há algo de novo, em todos os dias, para aqueles que são receptíveis ao afago amigo, ao bem e a ouvir o próximo.

"6" comentários em: Os dias cinzentos

  1. Rafael - 30 de julho de 2013

    Via FACEBOOK
    Blacia Gonzales
    “Meu amigo, bastou sua atenção e amizade para me lembrar que o sol está lá fora, brilhante, e que o colorido do mundo permanece, exatamente, o mesmo.” Percebe-se o valor do amigo em nossas vidas. Boa semana para nós!

    • Rafael - 30 de julho de 2013

      Bjão minha querida Blacia

  2. Rafael - 26 de julho de 2013

    Via FACEBOOK
    John Williams Bezerra
    Joshua é um dos meus guias espirituais, lembra até o Profeta do grandioso Gibran…

    • Rafael - 26 de julho de 2013

      Meu amigo John, obrigado pelo enorme elogio. Grande abraço!

  3. Rafael - 26 de julho de 2013

    Via FACEBOOK
    Heloiza Averbuck
    Adorei o texto Rafael!

    • Rafael - 26 de julho de 2013

      Bjão minha querida Heloiza!

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