<strong>O peregrino Joshua</strong>

O peregrino Joshua

Joshua é uma coluna com publicação semanal às quintas-feiras no Jornal Diário Regional e aos sábados no Jornal Folha do Mate.

Nela Rafael Lovato trata de temas cotidianos vivenciados por um velho peregrino, no início do século passado.

A série "O peregrino Joshua" está sendo publicada pela Editora Zap Book, e contará com ao menos 7 volumes, e que podem ser comprados no site www.zapbook.com.br

2 agosto 2013

Relatividade geral

 

 

Naquela tardinha, o peregrino Joshua se encontrava sentado em uma cadeira de balanço na varanda da pensão no vilarejo de Passo Largo, e olhava uma revoada de pássaros. Naquele momento, pensou que se sentia um espírito, pois, também conseguia voar, desprendendo-se de seu eu consciente e viajando alto e para longe. Claro que não fisicamente, mas, em pensamentos. E era assim que via tudo de outra ótica, repensava a vida, refletia, reavaliava… O mais triste era que, no final, sempre precisava retornar ao frio, às dores, à bengala.

Adentrando a varanda, e trazendo Joshua de volta ao seu corpo, uma mulher comentou:

– Um dia após o outro… Tudo igual! A vida não muda neste vilarejo, longe de tudo e de todos. O senhor deve estar morrendo de monotonia, aí, sentado e olhando para o nada…

Joshua ajeitou a bengala entre os joelhos e olhou para a mulher:

– Talvez. Sobre esse assunto, um homem, alguns anos atrás, formulou uma teoria que vem modificando o entendimento de todos nós sobre muitas coisas nesse mundo. Nominou-a de Teoria da relatividade geral…

– Ah, sim – e a mulher sentou ao lado de Joshua. – Um alemão, né? Mas, não era sobre física? O que isso tem a ver com o nosso papo?

– Tudo. O maior ensinamento da teoria é que, levando-se em conta o observador, todo o resto é relativo.

A mulher coçou a cabeça:

– Sei… E o que isso quer dizer?

Joshua se ajeitou na cadeira, que balançou de leve:

– Significa que tudo no mundo, independente do que seja, é relativo, diferente, mutável, pois depende intimamente de quem observa o fenômeno. Assim, determinado acontecimento, se observado por você, será interpretado à sua maneira; se observado por mim, poderá ser interpretado totalmente diferente. E isso é fantástico, pois, mitiga todos os conceitos e concepções de tudo, formando a relatividade das coisas.

– O senhor tá me dando um nó!

– Você falou de sua vida, do vilarejo, da monotonia e de eu olhar para o nada – e a mulher concordou com vigoroso aceno de cabeça. – Ok, isso tudo foi percebido do seu ponto de vista. Então, pergunto: será que todas as outras pessoas que aqui residem e vivem, sentem o mesmo? Será que, se procurarmos, não encontraremos alguém contente por estar aqui, neste momento? E, mais: aposto que existem muitas outras pessoas, mundo afora, que adorariam viver suas vidas nesse pacato e gracioso vilarejo.

– É, pode ser. O padre, por exemplo, disse que gosta tanto de Passo Largo que nunca mais quer sair daqui.

– Exatamente! Minha amiga, é isso que tento lhe demonstrar. Que o aspecto da monotonia intrínseca do seu viver, aqui em Passo Largo, depende exclusivamente de sua própria percepção do mundo, dos seus olhos, o que torna a monotonia relativa, ou seja: passível de ser modificada. Por você mesma.

– Acho que entendi o que o senhor quer dizer…

Joshua olhou nos olhos da mulher:

– Para isso, basta mudar de enfoque, estar receptiva a tudo que lhe rodeia, ao que acontece de bom ou ruim. E, mais: tente melhorar seus dias, buscando novos objetivos, propondo-se novas metas a serem alcançadas.

– Sim, agora que o senhor falou, esse ano tem o concurso de cucas…

– Perfeito. No final, o que mais me conforta quando penso acerca da relatividade é que justo por ser tudo relativo, é que basta mudarmos o nosso enfoque, para vermos novas cores, novas vidas, novos caminhos – e Joshua colocou a mão sobre o ombro da mulher. – No final, uma verdade lhe digo: mude a sua percepção de mundo, que, então, a monotonia lhe abandonará. Quer ver? Olhe para onde eu olhava, e garanto que não encontrará o nada, mas, sim, uma linda revoada de pássaros, que é o que eu observava.

"8" comentários em: Relatividade geral

  1. Rafael - 6 de agosto de 2013

    Via FACEBOOK
    Blacia Gonzales
    “… justo por ser tudo relativo, é que basta mudarmos o nosso enfoque, para vermos novas cores, novas vidas, novos caminhos…” Agosto está começando que tal este convite?

    • Rafael - 6 de agosto de 2013

      Bjo minha querida Blacia!

  2. Rafael - 6 de agosto de 2013

    Voa FACEBOOK
    Ana Claudia Marques
    Bjin, mentor de Joshua…rs

    • Rafael - 6 de agosto de 2013

      Bjão Ana!

  3. Rafael - 2 de agosto de 2013

    Via FACEBOOK
    Heloiza Averbuck
    Belo texto Rafael!

    • Rafael - 2 de agosto de 2013

      Bjo minha querida amiga Heloiza

  4. Rafael - 2 de agosto de 2013

    Via FACEBOOK
    Iara Martins Silva
    O dia em que entendermos a abrangência da teoria da relatividade geral de Einstein, e a aplicarmos em nosso dia a dia, o mundo será o que quisermos que ele seja. Esse pequeno conto é aparentemente bem simples, mas a verdade costuma ser simples.

    • Rafael - 2 de agosto de 2013

      Bjão Iara!

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