<strong>O peregrino Joshua</strong>

O peregrino Joshua

Joshua é uma coluna com publicação semanal às quintas-feiras no Jornal Diário Regional e aos sábados no Jornal Folha do Mate.

Nela Rafael Lovato trata de temas cotidianos vivenciados por um velho peregrino, no início do século passado.

A série "O peregrino Joshua" está sendo publicada pela Editora Zap Book, e contará com ao menos 7 volumes, e que podem ser comprados no site www.zapbook.com.br

9 agosto 2013

Livre arbítrio

 

O peregrino Joshua ainda se encontrava no vilarejo de Passo Largo, e não sabia se isso era motivado pelo cansaço de seu corpo ou se Deus possuía outras intenções para sua estada por ali. Naquela noite, sentado na sala da pensão com tais pensamentos em mente, um homem ao seu lado comentou:

– Fiz muitas escolhas erradas em minha vida… Mas, como poderia conhecer o futuro? O melhor seria, para uma vida tranquila, que certas decisões não precisássemos tomar. O senhor não concorda?

Joshua se ajeitou na poltrona:

– O amigo fala do livre arbítrio, um dos maiores bens que possuímos. E, concordo que ele também pode ser atroz carrasco, pois determinador de nossa vida e destino. Sim, pois todos os dias somos postos a prova, e a cada momento exercemos escolhas, as quais determinam o curso de nossas vidas.

– Sei disso muito bem…

– O livre arbítrio está em tudo: no momento de praticarmos caridade ou mesmo maldade; de acariciarmos o próximo ou lhe declararmos inimizade. Então, muitos podem pensar que o melhor seria se tudo se encontrasse pronto e decidido em conformidade com um ditame moral maior, celestial. Assim, os homens cessariam suas escolhas e o mundo seria mais tranquilo. Certo?

O homem concordou com aceno de cabeça:

– Certíssimo.

Joshua olhou para ele:

– Mas este é um anseio perigoso. A possibilidade de optar e decidir as ações a serem tomadas está intimamente ligada à liberdade dos homens. Não é livre aquele tolhido de seu direito de escolha, que é pilastra da democracia. Sem ela, o povo seria escravo de um poder soberano justamente por não poder decidir seu destino através da própria vontade.

– Acho que entendi aonde o senhor quer chegar.

– Porém, cuidado: o simples fato de se poder escolher não significa liberdade.

– Não?

– Não. Quando reflito sobre esse assunto, sempre retorna a meus pensamentos ensinamentos de Immanuel Kant, que diz aproximadamente o seguinte: “O homem que escolhe por impulsos não está livre, pois está tolhido por sua instintividade animalesca. O homem tem de ser capaz de superar sua vocação primitiva e construir a possibilidade humana do existir através da razão moral, e eis aí o que nos afasta dos animais irracionais”.

O homem coçou o queixo:

– Como assim?

Joshua olhou em seus olhos:

– Não é livre o homem que possui vícios, nem aquele que se deixa dominar por seus desejos ou vontades. Somente homens integrados à sociedade, de bons costumes e guiados pela moralidade possuem, realmente, o livre arbítrio, e que lhes conduz ao posto de seres humanos livres. Pois, liberdade é poder e saber optar. Meu amigo, não culpe o livre arbítrio por uma escolha equivocada. Exerça-o de maneira que ele não o conduza a tortuosos caminhos no futuro. Nossa vida é o que é devido às nossas opções, é verdade. Porém, minha verdade lhe digo: sempre há tempo para revermos posicionamentos, e reiniciarmos a caminhada. Pois, no final, viver em liberdade é, justa e constantemente, eleger possibilidades.

"6" comentários em: Livre arbítrio

  1. Rafael - 13 de agosto de 2013

    Via FACEBOOK
    Blacia Gonzales
    Vejo como a beleza da vida: “…sempre há tempo para revermos posicionamentos, e reiniciarmos a caminhada.” Boa semana grupo!

    • Rafael - 13 de agosto de 2013

      Bjão Blacia!

  2. Rafael - 9 de agosto de 2013

    Via FACEBOOK
    Adriana Kiesel
    Muito bom!

  3. Rafael - 9 de agosto de 2013

    Via FACEBOOK
    Heloiza Averbuck
    Excelente texto Rafael ! Muito verdadeiro….

    • Rafael - 9 de agosto de 2013

      Bjo Heloiza!

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