<strong>O peregrino Joshua</strong>

O peregrino Joshua

Joshua é uma coluna com publicação semanal às quintas-feiras no Jornal Diário Regional e aos sábados no Jornal Folha do Mate.

Nela Rafael Lovato trata de temas cotidianos vivenciados por um velho peregrino, no início do século passado.

A série "O peregrino Joshua" está sendo publicada pela Editora Zap Book, e contará com ao menos 7 volumes, e que podem ser comprados no site www.zapbook.com.br

22 novembro 2013

Homossexualismo e as convenções

O peregrino Joshua deixou para trás o vilarejo de Gado Manso, e naquela tardinha, após dias de caminhada, finalmente conseguiu avistar, ao longe, a cidadela à qual se dirigia. Pensou que, apressando o passo, poderia passar a noite na cama de uma pensão. Porém, o entardecer se encontrava de tal modo agradável, com céu límpido e agradável brisa, que decidiu dormir sob uma figueira que avistou perto da poeirenta estrada.

Quando se aproximou da árvore, viu um dos modernos automóveis parado ao seu lado, com um homem escorado nele gesticulando e falando consigo mesmo. Joshua se aproximou e se ajeitou sob a figueira, sem nada falar, até que o homem quebrou o silêncio:

– Meu mundo acabou!

Joshua olhou para o homem:

– Meu amigo, acalme-se. Nada é irremediável…

– Acalmar como? Não sei o que fazer. Descobri algo hoje pela manhã que não posso aceitar. É errado. E… Nem consigo falar – e o homem pausou. – Minha filha é homossexual… Dá pra acreditar numa coisa dessas?

Joshua se levantou e escorou ambas as mãos sobre a bengala.

– Entendo. Mas, o amigo fala de algo natural…

– O quê? O senhor enlouqueceu? Isso é anormal! Imoral!

Joshua deu um passo na direção do homem:

– Tranquilize-se, e tente não confundir a convencionada normalidade social moderna com um aspecto intrínseco e natural aos homens, sua natureza.

– Ã?

– O que quero dizer é que o homossexualismo remonta há milênios, e houve época na qual não só era natural como normal. Desde a Roma antiga até os tempos modernos, nós, homens, somos os mesmos. O que mudou foram as convenções, o que a sociedade rotula de aceitável ou condenável. É o que chamo de moralidade mutável: não é a baseada no respeito ao próximo e garantia de direitos, sob o estandarte da não violência, mas, sim, em uma convenção de entendimentos imposta pela casta dominante…

– O senhor não está entendendo. É da minha filhinha que falamos. A quem eu amava, dava colo, cuidava… E agora… Ah meu Deus!

Joshua deu mais um passo na direção do homem:

– Meu amigo, não se deixe ludibriar por aparências e entendimentos alheios sobre moralidade e costumes. Ela continua sendo sua filha.

O homem olhou para o chão:

– Pois é. Já nem sei se sinto que ela é mesmo minha filha…

Joshua deu mais um passo na direção do homem:

– A opção sexual de alguém não lhe retira o cerne enquanto homem, nem lhe macula o caráter. Sua filha não lhe é menos amável hoje do que foi ontem, nem menos caridosa ou amiga. Não turve sua visão com pré-conceitos aleijados. Abra sua mente e perceba que nada de errado reside no fato de alguém optar por certo caminho que não lhe macula a honra, a caridade, os bons costumes ou a alma – e Joshua colocou a mão no ombro do homem: – Não sabe o que fazer?

O homem movimentou lateralmente a cabeça e olhou para Joshua, seus olhos úmidos de lágrimas.

Joshua encarou o homem:

– Pois a minha verdade lhe digo: ame sua filha, dê-lhe carinho e compreensão, pois ela é e continuará sendo exatamente a mesma pessoa que você ama e costumava pegar no colo.

"6" comentários em: Homossexualismo e as convenções

  1. Rafael - 22 de novembro de 2013

    Via FACEBOOK
    Norton Campos
    Maravilha,baita abraço,meu querido!!!!

  2. Rafael - 22 de novembro de 2013

    Via FACEBOOK
    Heloiza Averbuck
    Maravilhoso texto! Parabéns Rafael!

    • Rafael - 22 de novembro de 2013

      Bjão minha querida amiga Heloiza!

  3. Rafael - 22 de novembro de 2013

    Via Facebook
    Lisamara Dalla Costa
    É verdade.

    • Rafael - 22 de novembro de 2013

      Bjo Lisamara!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *