<strong>O peregrino Joshua</strong>

O peregrino Joshua

Joshua é uma coluna com publicação semanal às quintas-feiras no Jornal Diário Regional e aos sábados no Jornal Folha do Mate.

Nela Rafael Lovato trata de temas cotidianos vivenciados por um velho peregrino, no início do século passado.

A série "O peregrino Joshua" está sendo publicada pela Editora Zap Book, e contará com ao menos 7 volumes, e que podem ser comprados no site www.zapbook.com.br

6 dezembro 2013

O perdão de si mesmo

 

O peregrino Joshua ainda se encontrava no vilarejo de Salto Longo, e naquela quente tardinha se encontrava em uma venda de secos e molhados, sentado e tomando um refresco. Perto de si, dois homens conversavam, um deles claramente exaltado:

– Não. Nunca o perdoarei pelo que fez!

– Calma, homem.

– Acalmar como? Ele era um irmão para mim. Onde já se viu, agir assim? Não tem perdão…

– Tudo se ajeita… – E o homem olhou para Joshua: – Não é verdade, peregrino? O que o senhor acha?

Joshua se levantou da cadeira, apoiando-se em sua bengala:

– O que eu sei é que é muito difícil se dar ao direito de perdoar…

O homem exaltado encarou Joshua:

– O quê? Perdoar? Não me falta mais nada…

Joshua deu um passo na direção dos homens:

– Em minha longa vida, muitas vezes me senti traído. E, o pior: pelos que me eram mais próximos e caros. Chorei, indignei-me e, muitas vezes, gritei de raiva, frustração e tristeza. Não sabia o que fazer, queria dar o troco pela afronta.

– Sei muito bem do que o senhor fala.

– E lhe digo um segredo: por várias vezes consegui a desforra.

– Amém!

O outro homem colocou a mão na cabeça:

– Ah, Jesus! Danou-se.

Joshua deu mais um passo na direção dos homens:

– Mas, logo após me cobrar, ao invés de ficar satisfeito, senti um vazio dentro do peito, e fiquei ainda pior. Então, em um dia como o de hoje, numa tardinha como essa, parei para pensar sobre os homens, seus erros e, principalmente, sobre mim mesmo. Pensei e pensei sobre os motivos de uma ofensa e quais as suas determinantes. E querem saber o mais interessante?

E ambos responderam em uníssono:

– Claro.

– No final, sempre chegava a mim mesmo. Revendo meu passado, conclui que inúmeras afrontas que sofri foram, de algum modo, criadas por mim mesmo. Claro que não todas, mas muitas. E foi após perceber isso que comecei a me dar ao direito de relevar uma ofensa, de descerrar os punhos, e dei asilo ao perdão em minha vida.

O homem exaltado cruzou os braços:

– Fácil falar. O que ele fez não tem perdão!

Joshua deu mais um passo na direção dos homens:

– O amigo precisa perdoar a mim mesmo, não ao seu amigo. A vida em sociedade não é fácil, pois todos possuímos arestas, as quais devemos aparar sob pena de ferirmos uns aos outros.

O outro homem deu um passo na direção de Joshua:

– Amém!

– Não raramente, desentendimentos acontecem, e que machucam os envolvidos. Porém, o ser humano é dotado de finita memória justamente para deixar no passado, esquecidas, as coisas ruins que enfrentou, para não reavivá-las constantemente – e o homem descruzou os braços. – Perdoar é reconhecer nossas próprias limitações e falhas, e enxergar a si mesmo no próximo: alguém que, muitas vezes, necessita de compreensão e entendimento. Meu amigo, deixe o passado no passado. Olhe para frente, pois seu futuro é você mesmo que constrói – e Joshua olhou nos olhos do homem: – E por isso minha verdade lhe digo: brigar e defender um ponto de vista pode valer a pena às vezes, mas, perdoar a si mesmo e manter amigos sempre vale muito mais.

"12" comentários em: O perdão de si mesmo

  1. Rafael - 7 de dezembro de 2013

    Via FACEBOOK
    Dom Negro Olivier
    ESTOU PRECISANDO DESTE LIVRO. PARA PERDOAR A MIM MESMO E FAZER CICATRIZAR ALGUMAS FERIDAS DE UM PASSADO SANGRENTO EM MEU SEIO FAMILIAR.

    • Rafael - 7 de dezembro de 2013

      Um abraço Dom Negro Olivier, espero que consiga superar as controvérsias.

  2. Rafael - 7 de dezembro de 2013

    Via FACEBOOK
    Vilmar Bender
    Ótimo texto, excelente como sempre. Abração Rafael

    • Rafael - 7 de dezembro de 2013

      Valeu Vilmar!

  3. Rafael - 6 de dezembro de 2013

    Via FACEBOOK
    Heloiza Averbuck
    Muito bom o texto! 🙂

    • Rafael - 6 de dezembro de 2013

      Bjão minha querida amiga Heloiza!

  4. Rafael - 6 de dezembro de 2013

    Via FACEBOOK
    Ines Hoffmann
    ADOREI,MUITO A EVOLUIR!

    • Rafael - 6 de dezembro de 2013

      Bjo minha querida Ines

  5. Rafael - 6 de dezembro de 2013

    Via FACEBOOK
    Elis Cristina Castro Pfingstag
    “E por isso minha verdade lhe digo: brigar e defender um ponto de vista pode valer a pena às vezes, mas, perdoar a si mesmo e manter amigos sempre vale muito mais.”
    Belíssimo texto, vale a leitura!!!

    • Rafael - 6 de dezembro de 2013

      Bjão Elis!

  6. Rafael - 6 de dezembro de 2013

    Via FACEBOOK
    Olinda Gonçalves
    😉

    • Rafael - 6 de dezembro de 2013

      Bjão Olinda!

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