<strong>O peregrino Joshua</strong>

O peregrino Joshua

Joshua é uma coluna com publicação semanal às quintas-feiras no Jornal Diário Regional e aos sábados no Jornal Folha do Mate.

Nela Rafael Lovato trata de temas cotidianos vivenciados por um velho peregrino, no início do século passado.

A série "O peregrino Joshua" está sendo publicada pela Editora Zap Book, e contará com ao menos 7 volumes, e que podem ser comprados no site www.zapbook.com.br

20 janeiro 2017

A sorte e as atitudes

 

O peregrino Joshua, sentado em uma cadeira na sombra da varanda da pensão em Tocaia Grande, aguardava o calor do sol arrefecer para caminhar pelo vilarejo. Enquanto pensava na vida e nos homens, após farto almoço servido na pensão, um rapaz sentou ao seu lado. Sem demora, ele disse:

- O senhor é um peregrino, certo?

- Sim.

- Então, o senhor deve saber das coisas. Deve poder me ajudar. Eu queria saber por que sou tão azarado.

Joshua olhou para o rapaz.

- E, o que é o azar?

- Ué – o rapaz deu de ombros. – Azar é não ter sorte. Tipo ontem, o Pedro Butiá ganhou a rifa da escolinha. Isso é sorte. Quem não ganhou, teve azar.

Joshua ajeitou a bengala entre os joelhos.

- Você havia comprado um dos números da rifa?

- Bem capaz. Eu nunca ganho, só poria dinheiro fora. Sou muito azarado.

- Entendo. Em minhas andanças por este mundo, muito ouvi sobre o infortúnio. Pessoas de todas as idades reclamando da desventura. Mas, o que de fato oportuniza que a fortuna brilhe mais sobre determinadas pessoas?

O rapaz arregalou os olhos.

- O senhor tá perguntando isso para mim?

- Sim.

- Ora, e eu lá sei? – O rapaz cruzou os braços. – Se soubesse, não seria um infeliz azarado, né?

- Bem, para mim, a desdita não é causa, mas, consequência de como conduzimos nossa vida.

- Como assim? – O rapaz descruzou os braços.

- A boa sorte deriva das possibilidades que criamos. Uma pessoa não é bem sucedida porque tem sorte, e, sim, tem fortúnio porque é bem sucedida. Tem sorte aquele que preparou terreno para que ela acontecesse.

O rapaz coçou a cabeça.

- Não entendi.

- Eu explico. Pedro Butiá comprou um número da rifa, abrindo as portas para a sorte. – Joshua olhou para o rapaz. – Você, não comprando, proibiu que a fortuna entrasse em sua vida. Se plantarmos várias sementes no hoje, no amanhã com certeza teremos colheita. Se cruzarmos os braços, colheremos vento.

- Sabe que nunca pensei deste jeito?

- Meu amigo, nós somos os obreiros de nossa boa e má sorte. Ela decorre de nossas atitudes frente ao mundo. Este é um pensamento encorajador, pois implica em que possamos mudar a nossa desventura. – Joshua olhou nos olhos do rapaz. – É por isso que minha verdade lhe digo: esteja abertos a novos experimentos, a novas amizades, que oportunidades aparecerão. Não feche as portas da sorte. Lembrem-se que bem viver é bem eleger possibilidades. 

"6" comentários em: A sorte e as atitudes

  1. Rafael - 21 de janeiro de 2017

    Maribel Mylius Trindade
    Parabéns pelo belo texto.

    • Rafael - 21 de janeiro de 2017

      Beijos Maribel!

  2. Rafael - 20 de janeiro de 2017

    Jonas Hickmann
    Muito bom Rafael Lovato

    • Rafael - 20 de janeiro de 2017

      Abração Jonas!

  3. Rafael - 20 de janeiro de 2017

    Juracy Michelin Barban
    Sim passou a mensagem ! Bom dia querido !

    • Rafael - 20 de janeiro de 2017

      Beijos Juracy!

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