<strong>Contos</strong>

Contos

Além de ser romancista, R. Lovato foi um dos premiados no Panorama 2010/2011 da FC do B com o conto Nulla in mundo pax sincera, publicado em dez/2011.

Também foi premiado com o conto A moeda humana do Banco Central no concurso Nossos Valores na I Semana Organizacional do Banco Central do Brasil.

SALTO EVOLUTIVO

Renascimento.

A chuva desta noite de quarta-feira em Dublin me afoga enquanto estou sentado em minha cama. Os barulhos molhados da Rua Parnell me mantêm acordado.

Eu poderia simplesmente voar acima desta droga de nuvens e dormir na quieta lua. Quem me dera.

Acabei de ler Frankenstein. Uma garota adolescente o escreveu há, tipo, um milhão de anos atrás.

Pedaços de pessoas costurados juntos criam um monstro filho da eletricidade e da genialidade. Coisa mais maluca que já li. Muito poderoso.

Eu mantenho a janela do meu quarto sempre aberta para conseguir respirar. Agora preciso me deitar. Estou com dor de cabeça.

Meu cérebro é grande demais. Minha cabeça é muito pesada.

Já há algum tempo eu percebi que o teto do quarto está caindo na minha direção um centímetro por noite.

Estou me tornando grande demais para o meu quarto. Ou é o quarto que está encolhendo?

A umidade piora ainda mais o cheiro bolorento das ruas que o vento assopra através da minha janela todas as noites. O ar é denso e fede à urina e gasolina e ratos molhados. Preciso lutar por cada respiração. Queima minhas narinas. Chega a entregar um gosto azedo em minha boca, o qual engrossa minha língua.

Repugnante. Será que o monstro poderoso precisava respirar?

Relâmpagos iluminam o quarto e energizam o fétido e estagnado ar. Eu lanço ambas as minhas mãos ao alto em uma tentativa de alcançar o teto. Minha pesada cabeça me segura à cama e arqueia minha espinha dorsal.

Eu não permitirei que o quarto me esmague na cama.

Raios relampejam mais e mais. Eu me seguro com força à minha cama. Em algum lugar eu desligo um interruptor. Eu absorvo os relâmpagos. Eu paro a descida do teto. Não escuto mais nada. Não cheiro nada. Estou todo dormente. Posso dormir, agora.

Meu corpo fez vinte e sete anos semana passada. Eu sou um recém-nascido esta noite.

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Mentiras.

Hoje eu gastei meus pés de tanto andar para lá e para cá no parque St. Stephen Green.

Eu precisava respirar. Estava torcendo para o ar não ser tão denso e pútrido em meio às árvores. Em algum lugar eu li que elas criam oxigênio. Que baita conversa fiada. O ar é tão ruim lá quanto o é na rua D’Olier na hora do rush com seus cheiros de exaustões de carros e borracha e embreagens queimadas.

Eu observei um verdadeiro show humano de horrores nesta tarde sem sol em Dublin enquanto eu arfava por ar. Pessoas desimportantes balbuciando idiotices e gastando a sola dos sapatos só para terem motivo para comprarem novos.

Desapontamentos. Fracassos. Genéticas corrompidas. Tudo aquilo apodrecendo ao meu redor e desperdiçando meu oxigênio com suas vidas sem sentido.

Subi em cima de um dos bancos do parque.

Talvez, o ar não fosse tão abominável nas alturas. Que nada.

Eu vi um casal de gordos passeando com um carrinho de bebê. Esquivei-me por trás de suas costas e espiei sobre seus ombros. Que criança mais gorda e feia e sem pescoço eles tinham.

Este mundo se tornou a perpetuação do fraco e inepto. Para o quê? Para desperdiçarem meu ar? Para dormirem e acordarem e morrerem como um deplorável saco de carne fraca? Não eu.

Quando comecei a andar de volta para casa ocorreu-me: a única saída é a evolução. Uma nova espécie.

A garota adolescente sabia a resposta. Ela sabia! Raios que a partam.

Eu precisei me deitar na calçada da rua College. Minha cabeça estava tão pesada e doía tanto que por pouco ela não explodiu meus olhos para fora de suas órbitas e quebrou minha espinha, rolando pelo chão.

Eu levarei um bom tempo para me acostumar com este meu novo e enorme cérebro. Um pequeno preço para se pagar por tanto poder.

O fedor de cocô de cachorro que emanava da sarjeta era insuportável.

Mas, lá eu conseguia respirar. Esquisito.

Uma senhora velha perguntou:

– Você está bem, meu filho?

– Claro. É só a minha cabeça que está pesada demais. Obrigado por perguntar. Só preciso descansar um pouco. Não confie nas árvores. Tenha um ótimo dia.

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Deus?

Eu cruzei pela ruela Windmill esta manhã e percebi uma mudança na paisagem. Por mais ou menos dois anos um grafite amarelo anunciava sozinho em uma das paredes: “Quem são os homens do futuro?”

Aquele questionamento não fazia qualquer sentido para mim. Ora, perguntar algo assim. Como eu poderia saber? Eu mal sei sobre os homens do passado e do presente e as mulheres. Tipo a minha vovó. Ele era esquisita e cheirava estranho. Ele costumava fazer biscoitos de chocolate para mim. Um dia eu estava na cozinha dela. O jornal Times Irlandês estava depositado sobre a mesa. Eu o peguei nas mãos e li algo que um político disse a um repórter. Eu murmurei:

– Deus me livre.

Vovó me deu um tapa na boca. Ela disse:

– Não utilize o nome de Deus em vão.

Não ganhei biscoitos naquele dia.

Hoje eu encarei o grafite e lembrei que no verão passado alguém escreveu em vermelho abaixo dele: “O que são eles?”

Aquela pergunta, sim, fez total sentido para mim. Não importa nem um pouco quem são os homens do futuro. O que eles são é que é a verdadeira pergunta. Vovó costumava dizer que somos a imagem de Deus. Deus nos fez. Deus olha por todos nós.

Hoje foi a primeira vez que eu via a terceira linha grafitada. Escrita na cor branca. “Jesus salva”.

Eu vomitei. Deus deixou vovó morrer. Deus fez Amélia me odiar. Deus fez Amélia me abandonar. Deus me fez fraco. Jesus não salva ninguém. Eu criei um novo eu. Eu fiz eu mesmo ficar mais forte. Eu me salvei.

Eu sou um Deus?

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Notícias velhas.

Eu vi uma entrevista com um antropologista chamado Noah Tadhg Murphy no Sky News noite passada. Ele disse:

– Temos consciência de que o Homo Sapiens Sapiens já está caminhando entre nós. Não sabemos quais são os poderes deles, por assim se dizer. Ou, qual o verdadeiro salto evolutivo que eles representam. O que sabemos com certeza é que nada é impossível. A adaptabilidade humana não conhece limites. É bem possível, sim, que mais cedo do que tarde veremos algum tipo de mutação gênica para melhor adaptabilidade do nosso organismo às mudanças do meio ambiente em que vivemos.

O repórter perguntou:

– O que exatamente o doutor quer insinuar com isso?

Ele não estava insinuando coisa alguma. Ele estava dizendo em alto e bom tom.

O antropologista disse:

– Deixe-me exemplificar: vamos dizer que as geleiras derretessem por completo e o mundo se tornasse um enorme oceano. Se isso acontecesse, eu não me surpreenderia em encontrar alguns entre nós espontânea e imediatamente desenvolvendo guelras!

Eu também não me surpreenderia.

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Apelido.

Noite passada eu estava andando nos arredores do Bar Temple.

Mamãe falou que eu deveria sair mais. Ver pessoas. Conhecer uma garota. Esquecer a Amélia.

No momento em que cheguei à Rua Anglessa eu estava com uma dor de cabeça insuportável.

Muito barulho. Pessoas rindo e gritando. Música bombardeando meus ouvidos de todas as direções. Barulheira sem sentido. Embaralhando meus pensamentos.

O ar carregando o cheiro de cerveja misturado com o doce perfume floral feminino era impossível de respirar. Machucava minha garganta. Lembrava-me demais a Amélia. Tornou minha dor de cabeça ainda pior.

Minhas entranhas deram uma volta. Eu precisava sair de lá.

As luzes da rua começaram a rodopiar. Eu perdi meu equilíbrio. Não conseguia respirar. Minha cabeça estava prestes a explodir. Eu fechei meus olhos e segurei meu crânio com ambas as mãos.

O que mais eu poderia fazer?

Em um ou dois segundos tudo passou.

Não havia mais barulho. Nem náusea. Nem dor.

Eu abri meus olhos e percebi que a gravidade parou de funcionar sobre mim. Eu estava levitando em direção ao céu noturno. Para minha sorte, o Hostel St. John Gogarty na rua Oliver possuía bandeiras em sua fachada. Agarrei-me à Bandeira Italiana no terceiro andar.

Não possuo qualquer dúvida de que eu teria flutuado ao universo sideral não fosse por aquela bandeira.

Ninguém me viu. Ou ajudou. Ou se importou.

Eu nasci Jack. Todo o mundo sempre me chamou de Jack. Só Jack. Na noite passada eu conquistei um apelido.

Ícaro.

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O pregador.

Um homem estava pregando no parque Merrion Square esta tarde. Ele gritava:

– Nós nascemos marcados, estereotipados. Não há como escaparmos da vala comum. Somos gado. Resumidos a pastar e a servir àqueles que governam nossas vidas. Você pensa que estou exagerando? Olhe à sua volta! Já há alguns de nós defecando nas ruas e passeios públicos, como se fosse a coisa mais normal do mundo! Crescemos resignados, gado aguardando o abate. Minha família esperava que eu me tornasse um médico ou advogado. Para ser feliz, exibir alto status social e comprar porcarias. Mas, eu não faço parte destas estúpidas classes sociais, que se acham grande coisa. Eu sei muito bem que todos comemos a mesma merda! A única diferença é que os ricos não precisam pegá-la do chão: outras pessoas servem em uma mesa para eles!

O pregador não poderia estar mais certo. Eles são, todos, gentalha sem importância!

Os transeuntes ignoravam o pregador. Eu apertei sua mão.

O que ele pregava não me dizia qualquer respeito ou me incomodava. Estou acima de tudo isso. Sou diferente. O próximo passo evolutivo. Homo sapiens sapiens.

Ícaro.

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Superpoderes.

Esta manhã eu estava caminhando pesado na rua Grafton.

Desde o episódio da levitação eu sempre carrego pedras em meus bolsos. Leva algum tempo para dominarmos superpoderes. Não quero sair levitando por aí. Estou me acostumando com o peso extra. Minhas roupas, de outra sorte, não estão.

Eu estava olhando as vitrines chiques da Grafton com seus preços patéticos. Em particular, conferi as joias na loja John Brereton.

Um brilhante anel de ouro amarelo com enorme diamante recordou-me de Amélia. Minha cabeça começou a doer.

Fiquei sem chão. Na junção da Grafton com onde a rua Harry se transforma na rua Anna Theas a Prefeitura estava arrumando alguma coisa. Uma grande obra. Havia uma enorme cratera na calçada. Eu enfiei minha perna até meu joelho dentro dela. Água salobra enchia o buraco. Um homem gordo do outro lado da rua desatou a gargalhar alto.

O tempo parou. Minha dor de cabeça desapareceu. Eu me concentrei no vento. Distância. Trajetória. A obra e as máquinas entre nós. Respirei fundo. Confiei no meu novo e grande cérebro.

Eu deixei que uma de minhas pedras voasse de encontro à cabeça do gordão. Ele desabou ao chão como um saco de batatas. Eu permaneci absolutamente imóvel observando o espetáculo. Eu mal respirava. Meus dedos dos pés ficando dormentes na água nojenta e gelada.

– Alguém jogou uma pedra em mim – o gordão gritou estatelado no chão.

– Quem foi? – Uma mulher que estava no meio da multidão ao redor dele perguntou.

– Eu não sei. Não vi quem foi – o gordão respondeu esfregando a mão em sua testa.

Invisibilidade! Telecinésia!

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Reconhecimento.

Após o almoço eu disse para mamãe que eu sairia para dar uma volta. Quando eu estava prestes a sair precisei correr para o banheiro. Estava com uma baita dor de barriga. Fui para meu quarto e deitei na minha cama. Escutei mamãe conversar ao telefone com sua amiga.

– Ah, Betty, não sabemos o que fazer – pausa.

– Não fazemos a menor ideia de quando começou. Ele parecia bem para mim – pausa.

– Amélia? Você acha mesmo? – pausa.

– Ontem eu falei com o médico. Ele quer que levemos o Jack lá, disse que pode ajudar – pausa.

– O médico falou que é difícil de explicar o porquê ou como aconteceu. Ele disse que o Jack sempre carregou isso dentro dele – pausa.

– Quer saber de uma coisa? Para mim a culpa é desta comida Fast Food americana. Eles colocam substâncias químicas que nem podemos imaginar nestas comidas, substâncias tóxicas, radioativas. Eles fabricam sabores que viciam nossas crianças, forçando-as em um nível subconsciente a comprar e comer sem parar. É tudo parte de um plano para subjugar o mundo inteiro. É assim que acontecem as mutações. Crianças com duas cabeças, mulheres sem úteros, e coisas como o que aconteceu com o Jack.

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Entrevista.

Hoje a mãe e o pai me levaram para ver um médico.

Eu não acreditava que precisasse mesmo ir a um médico. Já estou conseguindo controlar muito bem meus superpoderes. Três dias atrás eu acordei com a cara colada no teto. Flutuando. Meus pais não perguntaram nada. Eu não comentei nada com eles sobre o ocorrido. Imagino que eles suspeitassem que algo maravilhoso e que eles desconheciam estivesse acontecendo comigo. Exatamente como mamãe comentou com a amiga dela.

O médico falou comigo e com mamãe e com papai. O médico me pareceu ser um homem bem esperto. Ele disse:

– A questão envolvendo o Jack…

Eu o corrigi:

– Ícaro!

Foi a primeira vez que falei meu apelido em voz alta. Era mais do que hora de o mundo tomar conhecimento sobre minha existência.

O médico disse:

– Certo. A questão envolvendo Ícaro é complexa. É impossível saber com certeza as razões da sua ocorrência ou quais as suas implicações a longo prazo. Neste momento, eu não tenho como saber se é uma ocorrência perene ou episódica. A boa notícia é que neste momento ele me parece muito bem.

É claro que eu estava bem. Minha cabeça não estava doendo. Estava com os bolsos pura pedra. Eu poderia simplesmente esvaziar meus bolsos e sair voando dali quando eu bem entendesse.

O médico disse:

– Nós precisamos estudar a condição dele para podermos ajudá-lo a encontrar seu lugar no mundo. Por ora, a melhor opção é mantê-lo aqui conosco, ao menos até que ele consiga se adaptar à esta nova condição em que ele se encontra.

Eu gostei daquele lugar, com certeza. Lembrava-me daquela Escola para jovens superdotados, daquele filme. Para ensinar mutantes poderosos. Era o lugar perfeito para mim.

Papai disse:

– Talvez, esta seja mesmo a melhor opção para este momento. Nos preocupamos muito com o bem-estar dele. Coisas são quebradas em seu quarto no meio da noite, escutamos sons muito estranhos. Outro dia, quando acordei, a porta de entrada e todas as janelas da nossa casa estavam escancaradas. A verdade é que nós não sabemos qual a melhor maneira de lidar com essa situação.

Não foi nada mais do que eu treinando meus poderes telecinéticos. Coitado do papai. Como ele poderia saber?

O médico inteligente disse:

– Eu compreendo perfeitamente sua frustração e preocupação enquanto pais, mas o que aconteceu com o filho de vocês não é inteiramente incomum, isso eu posso lhes garantir. Isso é uma… como posso dizer? Uma válvula de descompressão que a evolução humana utiliza para suportar e se adaptar aos inúmeros problemas e questões das nossas vidas, desta loucura na qual vivemos. Ele estará muito bem cuidado conosco, fiquem tranquilos.

Eles me aceitaram!

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Controle.

Ontem, eu acordei no meio da noite.

Eu levei algum tempo para lembrar onde eu me encontrava.

Minha bexiga estava cheia e doendo.

Eu quase usei meus superpoderes telecinéticos para afrouxar os cintos que prendiam minhas mãos e pés à cama.

O médico inteligente disse que os cintos são necessários porque eu não quero acordar com minha cara colada no teto outra vez. Ainda mais que meu pijama não tem bolsos para eu encher de pedras. O médico inteligente disse que eu preciso controlar meus poderes e aprender a usá-los com ele antes de tentar usá-los sozinho. Ele foi muito claro em dizer que não é permitido utilizar telecinésia nas dependências da escola.

Os dutos de ventilação sopravam um ar úmido para dentro do meu quarto. A escola fica em uma área rural longe da cidade. Poder-se-ia pensar que o ar seria muito fresco lá.

Pense de novo. Malditas árvores inúteis.

O fedor de bolor e mofo e bosta de rato queimavam minhas narinas. Eu engasgava a cada respiração.

O médico inteligente disse que sou muito sensível ainda. Eu só tenho que aprender a controlar melhor meus superpoderes para poder viver normalmente. Vai melhorar, é só uma questão de tempo.

Minha bexiga estava latejando. Eu não podia esperar pelo amanhecer.

Telecinésia não é permitida. Por outro lado, o médico professor inteligente não disse nada sobre o teleporte, disse?

#

Mutantes.

Neste começo de tarde o professor inteligente veio ao meu quarto. Eu estava sentado na minha cadeira, segurando minha pesada cabeça. Os bolsos pura pedra.

O professor disse:

– Bom dia. Eu soube o que aconteceu nesta noite. Teletransporte também não é permitido, Ícaro. Você tem que obedecer às regras da escola.

– Eu não sabia. Só teleporte ao banheiro e esvaziei minha bexiga e voltei em um segundo. Mais nada. Juro.

– Eu falei para você: nada de usar superpoderes no recinto da escola.

– Eu devo ter esquecido desta parte de nossa conversa.

– Mas, tudo bem. Como você está se sentindo hoje?

– Eu não farei nenhum teste.

O professor disse:

– Ninguém falou nada sobre testes. Eu só quero conversar com você.

– Você quer dizer me ensinar como controlar meus superpoderes, é isso?

– Exatamente. Você comentou que pode levitar e se teletransportar.

– Teleportar.

– Sim, claro. Teleportar. Você quer falar sobre seus outros poderes?

– Superpoderes. Não.

O professor disse:

– Sem problemas. Conversaremos quando você estiver pronto, então.  O importante é que você se sinta em casa aqui conosco. Tudo o que eu quero é conhecer você um pouco melhor para poder lhe ajudar.

– Por que devo tomar comprimidos?

– Para conter seus superpoderes enquanto você ainda não os domina. Especialmente a levitação. Este é um superpoder muito impressionante. Eu não quero que você assuste os outros alunos.

– Está bem.

– Espero que em breve você não precise mais das pedras em seus bolsos. Mas, eu ainda não sei dizer com certeza quando isso será possível. Veremos. Os comprimidos ajudam, mas, como eu disse, levitação é um superpoder muito especial. Eu preciso que você me assessore neste assunto.

– Qual assunto?

O professor disse:

– Controlar sua poderosa levitação e se livrar das pedras, que certamente são um incômodo em seus bolsos. Os comprimidos ajudarão, mas, não resolverão. Você vai me assessorar?

– Talvez.

– Obrigado.

– O que exatamente é esta instituição? É mesmo uma escola para jovens superdotados?

– Sim, e é também um hospital.

– Por que você precisa de uma escola e um hospital juntos?

O professor disse:

– A escola, como você já sabe, está aqui para ajudar os jovens superdotados a aprenderem a controlar seus superpoderes. O hospital, se algo der errado nesse processo.

– Certo. Eu posso controlar meus superpoderes se eu quiser.

– Sério? Isso é uma ótima notícia. Você é realmente um prodígio. Você se importaria de tentar controlar sua levitação? Eu adoraria ver do que você é capaz.

– Sim, posso tentar. Como faremos?

O professor disse:

– Deixe-me pensar. Já sei! Que tal você me entregar as pedras de seus bolsos uma por uma e vamos ver quanto tempo você pode controlar sua levitação sem elas? Acho que você ainda não está pronto, mas vale a tentativa. Só um ser muito poderoso seria capaz de manter o controle sobre levitação.

– Parece uma boa ideia. Por que você chama sua escola de Hospital St. Edmundsbury? Não seria melhor chamá-lo de Escola para Jovens Superdotados e Hospital St. Edmundsbury?

O professor disse:

– Este é o nosso disfarce. O mundo não precisa saber sobre os poderes de nossos alunos. Superpoderes. As pessoas são facilmente assustadas, Ícaro. Confie em mim. É melhor assim.

– Essa é a mais pura verdade. Eles são gentalha, todos eles.

– Tenho certeza de que eles são. Vamos começar, então? Você está pronto para me mostrar do que é capaz?

– Claro. Estou sempre pronto. Vou lhe deixar orgulhoso, professor.

O professor disse:

– Você é um ótimo aluno. Aqui, tome seus comprimidos e com muita calma comece a me entregar essas pedras.

"8" comentários em: SALTO EVOLUTIVO

  1. Rafael - 27 de novembro de 2018

    Alexandre Savegnago
    Muito bom

    • Rafael - 27 de novembro de 2018

      Abração meu amigo!

  2. Rafael - 27 de novembro de 2018

    Fabiane Freitas Silva
    Rafael Lovato ❤️

    • Rafael - 27 de novembro de 2018

      Beijão minha querida

  3. Rafael - 26 de novembro de 2018

    Arthur Bogorny Fiegenbaum
    Abraço para ti também! Adorei o texto!!

    • Rafael - 26 de novembro de 2018

      Abração meu querido Arthur!

  4. Rafael - 26 de novembro de 2018

    Telmo Mylius Jr.
    Ícaro, foi só um sonho…
    Sonho de Ícaro.

    • Rafael - 26 de novembro de 2018

      Abração meu amigo Telmo

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