<strong>Contos</strong>

Contos

Além de ser romancista, R. Lovato foi um dos premiados no Panorama 2010/2011 da FC do B com o conto Nulla in mundo pax sincera, publicado em dez/2011.

Também foi premiado com o conto A moeda humana do Banco Central no concurso Nossos Valores na I Semana Organizacional do Banco Central do Brasil.

Ecos de um passado presente

Não me filio ao vento, sou tempestade.

Subo montanhas, mas não rolo colinas.

Voo, apesar de diferir dos passarinhos. Barulhento.

Vazio.

Não corro como cavalos; sou mais rápido.

Movo pedras, mastigo florestas.

Não sou água: aprisiono rios.

Oco.

Não nado como peixes, deslizo n’água.

Escuto sons de mundos distantes…

Não sou águia, todavia enxergo os confins do cosmo.

Inseguro.

Vivo em bandos, mas vim sozinho e vou sozinho.

Não sou um Deus, porém crio estrelas.

Vivo muitas vidas, apesar de não ser imortal.

Dúvidas.

Não formo mundos, mas posso destruí-los.

Não conquisto universos, sou posseiro.

Regurgito o bem-querer com promessas vãs.

Cego.

Ao meu poder não há paralelo.

Tudo posso, tudo faço, tudo alcanço.

Vil, persigo o brilho. O mais. O completo.

Falta.

Por que não consigo encontrar a mim mesmo?

Porque sou apenas um homem perdido na imensidão do querer ser.

Diuturnamente, esqueço de ser eu mesmo.

E choro.

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