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Boleros de Ravel – por Beatriz Campos

 

   Lara em sua infância passou horas de dedicação à música. O reconhecimento pela habilidade de qualquer pessoa aos desafios da musicalidade sempre a contagiou e permaneceu em seus valores de forma significativa na sua fase de menina madura.

   Certo dia, caminhando pela rua, ouviu o som suave de flauta doce, que a atraiu para ver de perto quem produzia algo tão encantador. Lara observou ser um jovem de semblante triste. Ele parecia ter percebido a sensibilidade de Lara e logo desviou o olhar, denotando barreiras para qualquer aproximação.  

   “Belíssimo… mas um talento desses no chão? Com esta capacidade musical, o que pode ter acontecido com ele?” – pensou Lara.

   Muito tempo se passou. Os traços e rugas de expressão se instalaram na face de Lara, que permanecia contagiada para assistir a concertos musicais como prioridade aos momentos de lazer.

   Naquela noite, “Boleros de Ravel”, apresentado aos sons de flautas na maestria de um grande músico, a fez pesquisar sobre o perfil daquele excelente profissional. Os imensos aplausos da plateia daquele momento continuaram aos seus ouvidos.

  – Interessante! Esse músico tem uma história de vida relevante, de muitos desafios. – pensou ao ler no site.

    Naquela viagem do transatlântico, o navio desbravava o mar. Lara olhava as espumas brancas das águas em encontro à proa. Iniciou o show da noite iluminado pela lua grandiosa e encantada ao som de “Boleros de Ravel” na suave flauta daquele músico. Ela lembrou-se do jovem da rua. De forma inusitada ela o filmou e abordada publicamente pelo músico, deixou-a constrangida. Mas a emoção falava mais alto, pois tinha quase certeza de estar encontrando uma pessoa que sempre aplaudiu.  Entusiasmada em conversar com ele, surgiu uma oportunidade no restaurante do navio.

   Lara se emocionou, por confirmar que aquele talento ao chão era o mesmo que brilhava nos palcos mais importantes das orquestras mundiais. O músico, por saber que os aplausos, mesmo velados daquela época, faziam parte de sua história. O que houve com ele é o que menos importa, mas o talento e a superação foram mais intensos e tocaram harmonicamente mais alto. Vivam os Boleros de Ravel! 

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